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Pós-cirúrgico: o que entregar por escrito ao responsável pelo animal

Um roteiro do que colocar no papel na alta cirúrgica para que a família dê o remédio certo, na hora certa, e ligue só quando precisa.

A castração terminou às 11h, a alta saiu às 17h e às 21h o telefone da clínica toca: "o anti-inflamatório era de 12 em 12 ou uma vez por dia?". Na alta, a família ouve muita coisa de uma vez, cansada e preocupada com o animal. O que não está no papel costuma se perder no caminho até o carro.

Por que a orientação oral não basta

Na saída da cirurgia, o responsável pelo animal recebe prescrição, cuidados com a ferida, regras de alimentação, colar, repouso e data de retorno. Muitas vezes quem ouve não é quem vai dar o remédio em casa.

O resultado aparece em três lugares:

  • ligações e mensagens com dúvidas que já tinham sido respondidas na alta;
  • erros de medicação: dose dobrada porque duas pessoas deram o mesmo remédio, dose esquecida, tratamento interrompido antes da hora;
  • retorno perdido, com pontos retirados fora do dia ou complicação percebida tarde.

Orientação escrita não substitui a conversa. Ela dá à família algo para consultar às 21h, e dá à equipe algo para apontar na mensagem: "confira o item 3 da folha".

O que entregar por escrito na alta

Separe o material em três peças, cada uma com uma função.

Peça Função Quem usa
Prescrição pós-cirúrgica O que dar, quanto, como e por quanto tempo Quem compra e prepara o medicamento
Caderneta de orientações Cuidados, sinais de alerta e retorno Toda a família
Tabela de controle de medicação Marcar cada dose dada Quem dá o remédio, a cada horário

1. Prescrição legível e completa

A prescrição é documento do médico-veterinário e segue as regras gerais do art. 3º da Resolução CFMV nº 1.321/2020: legível, datada, com identificação do profissional, do paciente e do responsável pelo animal, em 2 vias (redação da Resolução 1.653/2025). A via da clínica vai para o prontuário.

Para cada medicamento, escreva:

  • nome e apresentação;
  • dose em unidade que a família consegue medir em casa (comprimido, fração, mL);
  • via e forma de dar (com alimento, em jejum, diluído);
  • horários de relógio, e não só o intervalo;
  • duração, com data de término;
  • o que fazer se esquecer uma dose.

Exemplo de escrita que gera ligação e de escrita que responde a dúvida antes:

Gera dúvida Responde antes
"1 cp 12/12h por 5 dias" "1 comprimido às 8h e às 20h, junto com a comida. Começa hoje às 20h. Última dose: dia 18, às 8h."
"Gotas conforme orientado" "[quantidade] gotas na boca às 8h, 14h e 20h. Não misture na água do pote."
"Retorno em 10 dias" "Retorno para retirada de pontos: dia 22, às 10h. Traga esta folha."

As doses e os intervalos são sempre os que você definiu para aquele paciente. Os exemplos mostram só a forma de escrever.

Se houver medicamento controlado ou antimicrobiano de uso humano, ele segue receituário próprio.

2. Cuidados em casa e sinais de alerta

A caderneta de orientações responde às perguntas que mais chegam por mensagem. Monte com espaço para personalizar a cada paciente:

  • Ferida: como deve estar nos próximos dias, se pode limpar, com o quê, e o que não passar.
  • Colar ou roupa cirúrgica: até quando usar e se pode tirar para comer.
  • Alimentação e água: quando oferecer, quanto e se muda algo na dieta.
  • Atividade: repouso, escadas, passeio, banho.
  • Convivência: outros animais e crianças.

Os sinais de alerta merecem um bloco separado, com destaque visual e uma instrução clara. Liste os que você considera relevantes para aquela cirurgia, por exemplo sangramento, secreção ou abertura dos pontos, apatia, recusa de alimento por mais tempo do que o combinado, vômito. Em seguida, escreva o que fazer: "ligue para [telefone] ou procure [local de plantão]".

Separar "esperado nos primeiros dias" de "ligue agora" diminui a ligação desnecessária sem atrasar a ligação que importa.

3. Tabela de controle de medicação

Uma tabela com dias nas colunas e horários nas linhas, onde a pessoa marca cada dose dada. Ela resolve dois erros comuns:

  • duas pessoas da casa dando o mesmo remédio no mesmo horário;
  • dúvida sobre se a dose da manhã foi dada.

Preencha na alta, junto com a família, os nomes dos medicamentos e os horários. Peça que a tabela fique perto do remédio, e não na bolsa de quem veio buscar o animal. No retorno, a tabela preenchida mostra se o tratamento foi seguido.

Como conduzir a alta em poucos minutos

  1. Chame quem vai dar o remédio em casa, se possível.
  2. Leia a prescrição junto, item por item, com a embalagem na mão quando der.
  3. Preencha a tabela de medicação com os horários acordados.
  4. Mostre o bloco de sinais de alerta e o telefone.
  5. Peça que a pessoa repita com as próprias palavras o primeiro horário e a data do retorno.
  6. Registre no prontuário que as orientações foram entregues por escrito.

O último passo protege você. Se houver complicação, o prontuário mostra o que foi orientado e quando. Os termos de internação e de cirurgia assinados antes completam esse registro. Veja os 10 termos de consentimento.

Erros comuns no material de alta

  • Letra ilegível ou abreviações internas ("SID", "BID", "VO") que a família não conhece.
  • Uma folha só com tudo misturado, sem separar remédio, cuidado e alerta.
  • Telefone da clínica ausente ou sem indicar o plantão.
  • Data de retorno anotada só no sistema.
  • Material genérico, sem espaço para o nome do animal e a cirurgia feita.

O mesmo raciocínio vale para tratamentos longos. Em dor crônica e atopia, cadernetas de acompanhamento ajudam a adesão. Veja cadernetas de dor crônica e atopia.

Perguntas frequentes

Preciso entregar a prescrição pós-cirúrgica em 2 vias?

A Resolução CFMV 1.321/2020, com redação da 1.653/2025, pede que os documentos do médico-veterinário sejam emitidos em 2 vias, físicas e/ou digitais. Uma fica com o responsável pelo animal e a outra no prontuário.

Posso mandar as orientações só por WhatsApp?

Mensagem ajuda, mas se perde entre outras conversas. O papel fica perto do animal e do remédio. Se enviar também pelo celular, registre no prontuário.

Escrever "12/12h" é errado?

Não é errado, mas gera dúvida em casa. Horários de relógio, com início e fim, são mais fáceis de seguir.

A tabela de medicação substitui a receita?

Não. A receita é o documento do médico-veterinário. A tabela é uma ferramenta para a família marcar as doses dadas.

O que colocar nos sinais de alerta?

Os sinais que você considera relevantes para aquela cirurgia e aquele paciente, com a instrução do que fazer e o telefone de contato ou plantão.

Material para a alta cirúrgica

Deixar as três peças impressas, com o logotipo e os dados da clínica, padroniza a alta entre veterinários e plantões. A Petgraf produz a prescrição pós-cirúrgica em bloco A4, a caderneta de orientações pré e pós-cirúrgicas de 15 × 20 cm e a tabela de controle de medicação em bloco de 10 × 15 cm. A prova sai pelo WhatsApp e só vai para produção depois da sua aprovação. Todas as unidades são produzidas com a mesma arte e os mesmos dados.

Fontes

A Petgraf imprime receituários, atestados e carteiras de vacinação com a identidade da sua clínica.

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